SÍNDROME DE BURNOUT ENTRE SOCORRISTAS DO ATENDIMENTO MÓVEL PRÉ-HOSPITALAR

        O Atendimento Pré-Hospitalar (APH) configura-se como uma modalidade de assistência realizada fora do ambiente hospitalar, voltada para situações de urgência e emergência de natureza clínica, cirúrgica, obstétrica, pediátrica, psiquiátrica e traumática, que representam agravamentos à saúde ou risco iminente de morte. Este serviço demanda intervenções especializadas e imediatas no local da ocorrência, com o intuito de elevar as chances de sobrevivência e mitigar as possíveis sequelas (de Oliveira et al., 2023).

        As condições laborais no âmbito do APH apresentam singularidades marcadas por fatores estressores, como carência de recursos humanos e materiais, estruturas físicas inadequadas, jornadas de trabalho extenuantes e insuficiente reconhecimento profissional. A exposição constante a intempéries climáticas agrava esse cenário, tornando os profissionais mais suscetíveis ao desenvolvimento da síndrome de Burnout  (Ferreira et al., 2025).

        Nesse contexto, o enfermeiro socorrista, profissional que atua diretamente no APH, desempenha funções de alta complexidade assistencial frente a pacientes em condições críticas. A rotina intensa e a imprevisibilidade das emergências contribuem para o desgaste emocional, alimentando sentimentos de medo, descontrole emocional e envolvimento afetivo, além da convivência com situações de morte (Alves; Cabral, 2025).        

        As equipes de saúde que atuam em ambientes emergenciais estão particularmente expostas ao sofrimento psíquico, decorrente da natureza arriscada de suas atividades diárias. Tal exposição pode também comprometer o bem-estar físico e as relações sociais, ampliando o risco de adoecimento desses trabalhadores (Damasio et al., 2023).

        A síndrome de Burnout é conceituada como um distúrbio ocupacional composto por três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional. Essa condição tem impacto direto sobre os indicadores de qualidade de vida  (Maslach, 1996). Estudos apontam que, nas últimas duas décadas, houve quase o dobro de aumento nos níveis de Burnout entre os profissionais de saúde em comparação à média da população economicamente ativa  (Alves; Cabral, 2025).

        Pesquisas recentes demonstram a elevada prevalência de sintomas de Burnout entre enfermeiros que atuam em serviços de emergência, o que compromete a tomada de decisão clínica e a qualidade da relação terapêutica com os pacientes. Em termos individuais, a síndrome reduz o bem-estar e pode desencadear insatisfação, esgotamento, transtornos de ansiedade e pânico  (Paes et al., 2022). Além disso, esses quadros estão associados a um aumento de até 25% no risco de consumo abusivo de álcool (Kalmoe et al., 2019).

        Na presente edição, destacamos o artigo “Síndrome de Burnout em Enfermeiros dos Serviços de Urgência e Emergência”, que reforça o panorama descrito. Os autores identificaram um perfil majoritariamente composto por enfermeiros jovens, do sexo feminino, solteiros, com tempo de profissão entre um e cinco anos, e com formação especializada. Concluíram, ainda, que a adequação do dimensionamento de pessoal, a disponibilização de equipamentos adequados, a promoção de boas relações interpessoais e a adoção de estratégias preventivas são medidas eficazes na mitigação da síndrome, especialmente em suas fases iniciais (Faustino et al., 2025).

        Portanto, quando falamos desta temática necessitamos desenvolver educação em saúde sobre o assunto, trazendo os sinais e sintomas, e os riscos da síndrome, a fim de torná-la conhecida e possamos compreender melhor e identificar em conjunto com mais facilidade os seus sinais.

Referências

ALVES, A. P. P.; CABRAL, A. K. P. da S. Fatores ergonômicos na síndrome de burnout em enfermeiros de uma emergência hospitalar. Revista Eletrônica Acervo Saúde, [s. l.], v. 25, p. e19073, 2025.

DAMASIO, Y. L. R. et al. Prevalência de Síndrome de Burnout em enfermeiros de um hospital público de Pernambuco: estudo transversal. Revista Enfermagem Atual In Derme, [s. l.], v. 97, n. (ed. esp), p. e023040–e023040, 2023.

DE OLIVEIRA, L.K., ARAÚJO, A. R. T., MALAQUIAS, T. S. M., PITILIN, E. B., TRINCAUS, M .R., PINHEIRO, R. H. O., JERÔNIMO, D. V. Z., PELAZZA, B. B., SOARES, L. G., LENTSCK, M. H. Síndrome de burnout entre socorristas do atendimento móvel pré-hospitalar de Guarapuava-PR. In: Hércules de Oliveira Carmo. Serviço de Atendimento Móvel de Urgência no Brasil: avanços e desafios. Vol. 1. São Paulo: Editora Científica Digital, 2023. 104-120.

FAUSTINO, W. R. et al. Síndrome de Burnout em Enfermeiros dos Serviços de Urgência e Emergência. Nursing Edição Brasileira, [s. l.], v. 29, n. 321, p. 10587–10594, 2025.

FERREIRA, F. C. R. et al. Estresse ocupacional e Síndrome de Burnout em enfermeiros de unidades de emergência. Revista Eletrônica Acervo Saúde, [s. l.], v. 25, p. e18898, 2025.

KALMOE, M. C. et al. Physician Suicide: A Call to Action. Missouri Medicine, [s. l.], v. 116, n. 3, p. 211–216, 2019.

MASLACH C, et al. Maslach burnout inventory manual. Palo Alto: Consulting Psychologists Press, 1996. 

Paes JL, Tonon MM, Ignácio ZM, Tonin PT. Prevalence of burnout syndrome among nursing professionals in an emergency room and in an intensive care unit. Jornal Brasileiro de Psiquiatria [Internet]. 2022;71(4):296–302. Available from: https://doi.org/10.1590/0047-2085000000386