PROMOÇÃO DA SAÚDE E SEGURANÇA DO PACIENTE NO CENTRO CIRÚRGICO: MELHORIA DA QUALIDADE ASSISTENCIAL

PROMOTION OF PATIENT HEALTH AND SAFETY IN THE OPERATING ROOM: IMPROVING THE QUALITY OF CARE

PROMOCIÓN DE LA SALUD Y LA SEGURIDAD DEL PACIENTE EN EL QUIRÓFANO: MEJORA DE LA CALIDAD ASISTENCIAL

RESUMO

Este estudo objetivou analisar estratégias de promoção da saúde e segurança do paciente no centro cirúrgico, com foco na melhoria da qualidade assistencial. Foi realizada uma revisão integrativa que identificou 12 artigos sobre protocolos, cultura organizacional, educação permanente e inovação tecnológica. Os achados indicaram que checklists cirúrgicos, liderança eficaz e sistemas de rastreabilidade são essenciais para reduzir eventos adversos e potencializar a segurança. No entanto, desafios persistem, incluindo limitação de recursos, subnotificação de incidentes e dificuldades de comunicação entre equipes multiprofissionais. Conclui-se que o desenvolvimento de estratégias integradas, associadas ao compromisso institucional e ao engajamento dos profissionais, é fundamental para consolidar práticas seguras e qualificadas no ambiente cirúrgico, assegurando cuidado centrado no paciente e resultados sustentáveis.

Descritores: Centro Cirúrgicos; Segurança do Paciente; Melhoria de Qualidade; Promoção da Saúde.

INTRODUÇÃO

A segurança do paciente no centro cirúrgico constitui um desafio permanente e essencial na promoção da qualidade assistencial e na consolidação de práticas seguras em saúde. Esse ambiente, caracterizado por alta complexidade, intensidade tecnológica e interações multiprofissionais, demanda o desenvolvimento de estratégias que assegurem a prevenção de eventos adversos e a mitigação de riscos inerentes aos procedimentos cirúrgicos. Iniciativas como protocolos padronizados, comunicação efetiva entre equipes, rastreabilidade de processos e capacitação contínua dos profissionais de saúde são fundamentais para fortalecer uma cultura de segurança que priorize o cuidado centrado no paciente1.

A promoção da saúde nesse contexto transcende o controle de infecções e envolve o compromisso institucional com a gestão da qualidade, a valorização das boas práticas e a criação de ambientes que favoreçam a tomada de decisão segura e o uso racional de recursos2. Considerando que falhas assistenciais podem comprometer desfechos clínicos e impactar negativamente a experiência do paciente e da equipe, torna-se imprescindível investir em políticas integradas que articulem inovação tecnológica, educação permanente e monitoramento sistemático de indicadores3-4. Assim, promover a saúde e garantir a segurança do paciente no centro cirúrgico é não apenas uma exigência ética e legal, mas também uma oportunidade estratégica de consolidar avanços sustentáveis na atenção à saúde1-4. 

Continuamente, entende-se que a segurança do paciente no centro cirúrgico representa um dos pilares fundamentais para a qualidade assistencial e para a efetividade das intervenções terapêuticas. Diante do avanço tecnológico e da complexidade crescente dos procedimentos cirúrgicos, surge a necessidade de consolidar práticas baseadas em evidências que minimizem danos e garantam assistência segura, eficaz e humanizada1-2.

O ambiente cirúrgico é caracterizado pela dinâmica intensa de processos, pelo uso constante de tecnologias de ponta e pela atuação de equipes multiprofissionais com responsabilidades interdependentes. Essas características potencializam riscos, como infecções do sítio cirúrgico, eventos adversos relacionados à anestesia, erros de identificação e falhas na comunicação entre os profissionais2-3. Por essa razão, a promoção da saúde e da segurança do paciente nesse contexto exige um conjunto de estratégias articuladas que envolvem desde a implementação de protocolos operacionais padronizados, como a Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica, até programas contínuos de educação permanente e vigilância epidemiológica1-4.

O fortalecimento da cultura de segurança depende de compromisso institucional, monitoramento sistemático de indicadores e valorização do protagonismo dos profissionais na adoção de práticas seguras. Estudos recentes destacam que a sensibilização e o treinamento da equipe multiprofissional podem reduzir significativamente a ocorrência de eventos adversos e melhorar os desfechos clínicos1-3. Além disso, a integração de tecnologias digitais para rastreamento de materiais e identificação segura do paciente contribui para aumentar a rastreabilidade dos processos e aprimorar a tomada de decisão4.

Outro aspecto relevante é a necessidade de promover o envolvimento ativo do paciente e de seus familiares no planejamento e acompanhamento do cuidado, como estratégia para reduzir falhas de comunicação e fortalecer o autocuidado após a alta2. Essa abordagem amplia a perspectiva de promoção da saúde no centro cirúrgico ao considerar a dimensão subjetiva e relacional do cuidado, reforçando que a segurança não se restringe a medidas técnicas, mas também requer empatia, acolhimento e diálogo contínuo.

Nesse sentido, a promoção da saúde e da segurança do paciente no centro cirúrgico se configura como uma prioridade ética, legal e estratégica, capaz de transformar a cultura organizacional e garantir que cada procedimento seja conduzido de maneira segura, qualificada e centrada na dignidade humana. Portanto, tem-se por objetivo: Analisar e discutir estratégias de promoção da saúde e de segurança do paciente no centro cirúrgico, destacando práticas baseadas em evidências, protocolos assistenciais e ações educativas que contribuem para a melhoria da qualidade assistencial e a redução de eventos adversos.

MÉTODO

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura com abordagem descritiva, desenvolvida com o objetivo de reunir e analisar produções científicas relacionadas à promoção da saúde e à segurança do paciente no centro cirúrgico. Para tanto, foram seguidas etapas sistematizadas que possibilitaram a construção de uma síntese crítica do conhecimento disponível.

O levantamento dos estudos foi realizado nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), SCOPUS, e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), abrangendo publicações disponíveis em acesso aberto. Foram utilizados os seguintes descritores controlados e suas combinações: “segurança do paciente,” “centro cirúrgico,” “promoção da saúde,” “qualidade assistencial”.

Os critérios de inclusão englobaram artigos publicados no período de 2015 a 2025, em português, inglês e espanhol, que abordassem estratégias, protocolos, desafios e práticas voltadas à segurança do paciente em contextos cirúrgicos. Foram excluídas produções duplicadas, editoriais, resumos de eventos e trabalhos que não contemplassem a temática central do estudo.

O processo de seleção seguiu três etapas: leitura exploratória dos títulos e resumos, avaliação do texto completo e aplicação dos critérios de elegibilidade. Para organização e registro dos dados extraídos, foi elaborado um instrumento que contemplou informações como: Título, ano de publicação, objetivo, tipo de estudo, principais resultados e conclusões.

Os dados foram sistematizados de forma narrativa, permitindo identificar categorias temáticas que evidenciam práticas exitosas, desafios persistentes e perspectivas para a promoção da saúde e da segurança do paciente no centro cirúrgico.

A busca inicial nas bases de dados SciELO, LILACS e Biblioteca Virtual em Saúde resultou em 148 artigos potencialmente relevantes. Na primeira etapa de seleção, composta pela leitura exploratória dos títulos e resumos, foram identificados 62 estudos que abordavam de maneira geral a promoção da saúde e a segurança do paciente no centro cirúrgico. Posteriormente, procedeu-se à leitura na íntegra dos textos e à aplicação rigorosa dos critérios de inclusão e exclusão, que consideraram o período de publicação entre 2015 e 2025, a disponibilidade do texto completo e a ênfase em estratégias voltadas especificamente à melhoria da qualidade assistencial.

Ao final desse processo, foram selecionados 12 artigos que atenderam plenamente aos objetivos da pesquisa e cujos conteúdos possibilitaram a identificação de categorias temáticas relacionadas à implementação de protocolos de segurança, ao fortalecimento da cultura organizacional, à educação permanente das equipes multiprofissionais e ao uso de tecnologias no monitoramento e rastreamento de processos cirúrgicos.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para fundamentar a análise proposta neste estudo, foi realizada uma seleção criteriosa de produções científicas nacionais e internacionais que abordam de maneira abrangente aspectos relacionados à promoção da saúde e à segurança do paciente no centro cirúrgico, com ênfase nas estratégias voltadas para a melhoria da qualidade assistencial. As publicações contemplam diferentes delineamentos metodológicos, incluindo revisões integrativas, estudos transversais, relatos de experiência, capítulos de livros e ensaios reflexivos, permitindo uma visão ampla e multidimensional do tema.

 O quadro a seguir apresenta uma síntese dos principais trabalhos identificados, destacando o ano de publicação, o objetivo central, o tipo de estudo realizado, os principais resultados e as conclusões extraídas pelos respectivos autores. Essa organização visa facilitar a compreensão das evidências disponíveis, subsidiando a discussão crítica e a proposição de estratégias aplicáveis à prática profissional nos ambientes cirúrgicos.

QUADRO 1 – Descrição das características dos artigos encontrados:

Título/Periódicos

Ano

Objetivo

Tipo de Estudo

Principais Resultados

Conclusões

Improving Surgical Quality—Is the Patient Experience a Valid Measure of Quality? (JAMA Surgery) 5

2015

Discutir como briefings e satisfação do paciente podem compor medidas de qualidade cirúrgica

Artigo de opinião/ensaio

Briefings no centro cirúrgico impactam positivamente a experiência e percepção de qualidade

A qualidade é multifatorial e inclui satisfação e segurança do paciente

Factors Associated with Safety Attitudes in the Operating Room (BMC Nursing) 6

2023

Avaliar fatores que influenciam atitudes de segurança no centro cirúrgico

Estudo transversal

Clima organizacional e cultura são determinantes para práticas seguras

Enfatiza necessidade de promover cultura de segurança e comunicação eficaz

Patient Safety in Surgery (Springer, Capítulo 3) 7

2020

Examinar práticas e evidências sobre segurança perioperatória

Revisão teórica / capítulo de livro

Checklists e protocolos reduzem eventos adversos e melhoram resultados

Implementar protocolos padronizados eleva qualidade assistencial

Leadership in Surgical Safety (Springer, Capítulo 19) 8

2019

Discutir o papel da liderança na segurança cirúrgica

Capítulo de livro

Liderança eficaz influencia adesão a protocolos e cultura de segurança

Gestores devem fomentar ambiente de confiança e reporte não punitivo

Association Between Hospital Safety Culture and Surgical Outcomes (J Am Coll Surg) 9

2019

Analisar a relação entre cultura de segurança e desfechos cirúrgicos

Estudo observacional multicêntrico

Melhor cultura de segurança associada a menor incidência de complicações

Investir em cultura institucional pode melhorar resultados clínicos

Cultura de segurança do paciente na enfermagem em centro cirúrgico (Rev Esc Enferm USP) 10

2020

Avaliar percepção da equipe de enfermagem sobre cultura de segurança

Estudo transversal

Comunicação frágil e subnotificação persistem

Educação permanente é fundamental

Implementation of Surgical Safety Checklists and Outcomes (PLOS One) 11

2024

Avaliar o impacto do checklist de cirurgia segura

Estudo quasi-experimental

Redução de eventos adversos e melhoria na adesão a processos

Sustentabilidade depende de treinamento continuado

Transforming into a Learning Health System (Quality & Safety) 12

2024

Relatar a implementação de um sistema de aprendizado em saúde

Relato de experiência

Integração de dados e feedback contínuo aprimoram práticas

Modelos de aprendizado impulsionam qualidade e segurança

Segurança do paciente em centro cirúrgico: uma revisão integrativa (Revista Faculdade Itop)1

2023

Revisar práticas e protocolos de segurança em centros cirúrgicos

Revisão integrativa

Protocolos e cultura impactam diretamente a segurança

Monitoramento sistemático é essencial

Segurança do paciente no centro cirúrgico: práticas e desafios (Revista Saúde & Vida)2

2023

Identificar práticas e desafios na segurança perioperatória

Revisão integrativa

Barreiras incluem recursos limitados e baixa adesão a protocolos

Propõe educação permanente e gestão participativa

Segurança do paciente no ambiente cirúrgico: perspectivas da equipe multiprofissional (Acervo Mais)3

2023

Analisar cultura de segurança na perspectiva da enfermagem

Estudo transversal

Baixa comunicação de erros e fragilidade cultural

A cultura de segurança requer compromisso institucional

Ciência, tecnologia e inovação em saúde: desafios contemporâneos (Amplla Editora) 13

2025

Discutir inovação e qualidade em saúde

Capítulo de livro

Tecnologias fortalecem rastreabilidade e segurança

Inovação e melhoria contínua são determinantes

Fonte: Dados da pesquisa, 2025.

A análise dos estudos selecionados evidencia que a promoção da saúde e a segurança do paciente no centro cirúrgico permanecem como desafios complexos e multifatoriais, que exigem esforços integrados de gestores, profissionais assistenciais e sistemas de saúde1-13. Uma das principais constatações diz respeito à relevância da cultura organizacional como fator determinante para a qualidade assistencial e a prevenção de eventos adversos, aspecto corroborado por investigações que demonstraram associação direta entre ambientes com cultura de segurança fortalecida e a redução de complicações cirúrgicas e taxas de mortalidade1-13.

Os resultados destacam que a cultura institucional positiva influencia não apenas os desfechos clínicos imediatos, mas também a percepção global de qualidade e confiança dos pacientes nos serviços. Essa constatação converge com o relato de experiências que evidenciam que sistemas de aprendizado contínuo e a integração de dados assistenciais e educacionais podem aprimorar a segurança e a adesão a protocolos6-8.

A implementação de checklists de cirurgia segura desponta como uma intervenção de impacto consistente, contribuindo para padronizar processos e reduzir erros preveníveis. Contudo, os estudos indicam que a eficácia dessas ferramentas depende diretamente da adesão dos profissionais, do treinamento constante e da existência de supervisão ativa, elementos que ainda enfrentam barreiras em diferentes contextos institucionais6-10.

Outro ponto de destaque refere-se ao papel da liderança e da comunicação efetiva na criação de um ambiente favorável ao reporte de incidentes e à aprendizagem coletiva6-9. A literatura analisada demonstra que líderes que adotam práticas de gestão participativa e fomentam a cultura de não punição tendem a mobilizar maior engajamento das equipes. Essa dimensão é fundamental, considerando que parte significativa dos estudos identificou subnotificação de eventos adversos, motivada pelo receio de punições ou pela ausência de retorno estruturado das notificações6-11.

As investigações nacionais corroboram que, no Brasil, desafios como limitação de recursos materiais, déficit de pessoal, sobrecarga de trabalho e insuficiência de processos educativos ainda impactam diretamente a qualidade assistencial no centro cirúrgico. A precariedade na comunicação entre turnos e equipes foi apontada como fator crítico que contribui para erros de identificação, falhas no preparo do paciente e riscos intraoperatórios7-8-9.

Por fim, os estudos de revisão integrativa reforçam que a incorporação de inovações tecnológicas, sistemas de rastreabilidade e processos de melhoria contínua potencializam o alcance de práticas seguras e a sustentabilidade das ações. Contudo, a literatura alerta que a tecnologia, por si só, não substitui o compromisso ético, a competência profissional e a necessidade de investimento permanente em capacitação e monitoramento10-11.

Considerando esse panorama, constata-se que promover a saúde e a segurança do paciente no centro cirúrgico implica não apenas adotar protocolos, mas também fomentar uma cultura organizacional pautada na confiança, na comunicação aberta e no aprendizado contínuo12-13. A conjugação entre liderança engajada, participação ativa da equipe multiprofissional e processos sistematizados constitui o caminho mais promissor para reduzir riscos, qualificar a assistência e consolidar resultados clínicos sustentáveis.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A promoção da saúde e a segurança do paciente no centro cirúrgico representam dimensões indissociáveis da qualidade assistencial contemporânea. Os resultados desta revisão integrativa demonstram que a adoção de práticas baseadas em evidências, como protocolos operacionais padronizados e listas de verificação, tem impacto positivo na redução de eventos adversos e na melhoria dos desfechos clínicos. A liderança participativa, aliada ao fortalecimento da cultura de segurança, mostrou-se determinante para estimular o reporte de incidentes e consolidar ambientes de confiança e aprendizado contínuo.

Observou-se, porém, que barreiras como escassez de recursos humanos, precariedade na comunicação entre equipes e ausência de feedback estruturado ainda comprometem a efetividade das estratégias implementadas. Assim, recomenda-se que gestores e profissionais invistam em processos de educação permanente, inovação tecnológica e monitoramento sistemático dos indicadores assistenciais. Somente a conjugação desses esforços poderá garantir a consolidação de uma assistência cirúrgica segura, centrada no paciente e alinhada aos princípios éticos e legais que orientam o cuidado em saúde.

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