IMPORTÂNCIA DOS AGENTES COMUNITÁRIOS NA EDUCAÇÃO SOBRE PREVENÇÃO E SINAIS DE ALERTA DE PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA

IMPORTANCIA DE LOS AGENTES COMUNITARIOS EN LA EDUCACIÓN SOBRE PREVENCIÓN Y SEÑALES DE PARO CARDIORRESPIRATORIO

IMPORTANCE OF COMMUNITY HEALTH WORKERS IN EDUCATION ON PREVENTION AND WARNING SIGNS OF CARDIORESPIRATORY ARREST

Tipo de artigo: Revisão de literatura

Carolina Ferreira

Bacharel em Enfermagem – Faculdade de Ciências Médicas de Maricá.

Orcid: https://orcid.org/0009-0000-5637-8510

Cristiane do Nascimento Moura

Bacharel em Enfermagem – Faculdade de Ciências Médicas de Maricá.

Orcid: https://orcid.org/0009-0007-5637-8204 

Lana da Silva Josephino

Bacharel em Enfermagem – Faculdade de Ciências Médicas de Maricá.

Orcid: https://orcid.org/0009-0002-5548-0036 

Mayara Silva Santos

Bacharel em Enfermagem – Faculdade de Ciências Médicas de Maricá.

Orcid: https://orcid.org/0009-0009-4465-4421 

RESUMO

Objetivo: O objetivo geral foi analisar a relevância dos Agentes Comunitários de Saúde na educação da população sobre a prevenção de Doenças Cardiovasculares e o reconhecimento de sinais de Parada Cardiorrespiratória. Os objetivos específicos da pesquisa são compreender como os Agentes Comunitários de Saúde atuam na educação da população sobre prevenção de Doenças Cardiovasculares e sinais de alerta de Parada Cardiorrespiratória, avaliando suas estratégias, o conhecimento da comunidade, os desafios enfrentados e propondo melhorias em sua formação e suporte. Método: Revisão integrativa da literatura em seis etapas, com busca de artigos nas bases Scientific Electronic Library Online, Biblioteca Virtual em Saúde e Repositório da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Resultados: Os estudos mostraram que os Agentes Comunitários de Saúde têm papel essencial na divulgação de informações sobre riscos de Doenças Cardiovasculares e sinais de alerta de Parada Cardiorrespiratória. Suas ações, como visitas domiciliares e atividades educativas, impactam positivamente a conscientização da população. Contudo, limitações como a falta de capacitação contínua e apoio institucional reduzem sua efetividade. Conclusão: O estudo confirma a importância estratégica dos Agentes Comunitários de Saúde na educação em saúde cardiovascular, destacando a necessidade de investimento em formação e suporte para melhorar a prevenção e o reconhecimento precoce de emergências.

DESCRITORES: Atenção Primária em Saúde; Enfermagem; Emergência.

ABSTRACT

Objective: The general objective was to analyze the relevance of Community Health Agents in educating the population about the prevention of Cardiovascular Diseases and the recognition of signs of Cardiorespiratory Arrest. The specific objectives of the research are to understand how Community Health Agents operate in educating the population on the prevention of Cardiovascular Diseases and warning signs of Cardiorespiratory Arrest, evaluating their strategies, the community's knowledge, the challenges they face, and proposing improvements in their training and support. Method: Integrative literature review in six stages, with article searches in the databases Scientific Electronic Library Online, Virtual Health Library, and the Repository of the Coordination for the Improvement of Higher Education Personnel. Results: The studies showed that Community Health Agents play an essential role in disseminating information about the risks of Cardiovascular Diseases and warning signs of Cardiorespiratory Arrest. Their actions, such as home visits and educational activities, have a positive impact on public awareness. However, limitations such as lack of continuous training and institutional support reduce their effectiveness. Conclusion: The study confirms the strategic importance of Community Health Agents in cardiovascular health education, highlighting the need for investment in training and support to improve prevention and early recognition of emergencies.

DESCRIPTORS:

RESUMEN

Objetivo: El objetivo general fue analizar la relevancia de los Agentes Comunitarios de Salud en la educación de la población sobre la prevención de Enfermedades Cardiovasculares y el reconocimiento de signos de Paro Cardiorrespiratorio. Los objetivos específicos de la investigación son comprender cómo actúan los Agentes Comunitarios de Salud en la educación de la población sobre la prevención de Enfermedades Cardiovasculares y los signos de alerta de Paro Cardiorrespiratorio, evaluando sus estrategias, el conocimiento de la comunidad, los desafíos enfrentados y proponiendo mejoras en su formación y apoyo. Método: Revisión integradora de la literatura en seis etapas, con búsqueda de artículos en las bases de datos Scientific Electronic Library Online, Biblioteca Virtual en Salud y el Repositorio de la Coordinación de Perfeccionamiento del Personal de Nivel Superior. Resultados: Los estudios mostraron que los Agentes Comunitarios de Salud desempeñan un papel esencial en la difusión de información sobre los riesgos de las Enfermedades Cardiovasculares y los signos de alerta de Paro Cardiorrespiratorio. Sus acciones, como visitas domiciliarias y actividades educativas, impactan positivamente en la concienciación de la población. Sin embargo, limitaciones como la falta de formación continua y el apoyo institucional reducen su efectividad. Conclusión: El estudio confirma la importancia estratégica de los Agentes Comunitarios de Salud en la educación en salud cardiovascular, destacando la necesidad de invertir en formación y apoyo para mejorar la prevención y el reconocimiento precoz de emergencias.

DESCRIPTORES:

INTRODUÇÃO

Segundo a American Heart Association as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte global, exigindo estratégias eficazes de prevenção e reconhecimento precoce de eventos como a Parada Cardiorrespiratória1. Nesse contexto, os Agentes Comunitários de Saúde têm papel essencial na atenção primária, atuando como elo entre comunidade e sistema de saúde. Contudo, no Brasil, esses profissionais surgiram na década de 1980 para ampliar o acesso e promover ações preventivas e educativas por meio de visitas domiciliares e orientações à população2.

O trabalho dos agentes comunitários de saúde é focado na valorização e na promoção da saúde da população, portanto, a aplicação do trabalho dos Agente Comunitário de Saúde na prevenção de doenças cardiovasculares e no reconhecimento de sinais de alerta de Parada Cardiorespiratória se manifesta de diversas formas3.

Por meio de visitas domiciliares e ações em grupo, os agentes comunitários podem promover a educação em saúde, difundindo informações sobre fatores de risco para Doenças Cardiovasculares e incentivando hábitos saudáveis3. Além disso, podem ser capacitados para reconhecer sinais de alerta de eventos cardiovasculares, como os que antecedem uma Parada Cardiorrespiratória, orientando a população a buscar atendimento imediato. A pesquisa buscou responder qual a importância dessa atuação na prevenção e no reconhecimento precoce desses agravos.

Portanto, a justificativa para analisar a importância dos agentes comunitários na educação sobre prevenção de Doenças Cardiovasculares e reconhecimento de sinais de alerta de Parada Cardiorrespiratória reside na necessidade premente de otimizar as estratégias de saúde pública para enfrentar o desafio das doenças cardiovasculares. Ao investir na capacitação e no reconhecimento do papel dos agentes comunitários de saúde, é possível fortalecer a atenção primária à saúde, descentralizar as ações de prevenção e promoção da saúde e alcançar populações que, de outra forma, teriam menor acesso a informações cruciais.

O objetivo geral é analisar a relevância da atuação dos agentes comunitários de saúde na educação da população sobre a prevenção de Doenças Cardiovasculares e o reconhecimento de sinais de alerta de Parada Cardiorrespiratória.

Delimitando enquanto objetivos específicos a busca por: (1) Identificar e descrever as principais estratégias e abordagens utilizadas pelos agentes comunitários de saúde na disseminação de informações sobre prevenção de Doenças Cardiovasculares, incluindo fatores de risco, hábitos de vida saudáveis e a importância do acompanhamento médico regular; (2) Avaliar o conhecimento da população assistida pelos agentes comunitários de saúde em relação aos sinais de alerta de parada cardiorespiratória e a conduta adequada a ser tomada diante de sua identificação, buscando evidenciar o impacto da atuação dos agentes comunitários de saúde nesse aspecto; (3) Analisar as barreiras e facilitadores encontrados pelos agentes comunitários de saúde no desenvolvimento de suas atividades educativas relacionadas à prevenção de Doenças Cardiovasculares e ao reconhecimento de sinais de parada cardiorespiratória, considerando o contexto da atenção primária à saúde; (4) Propor recomendações para o aprimoramento da formação e do suporte aos agentes comunitários de saúde, visando otimizar sua atuação na educação da população sobre prevenção de Doenças Cardiovasculares e reconhecimento de sinais de alerta de parada cardiorespiratória, fortalecendo assim as estratégias de saúde pública para o enfrentamento dessas condições.

MÉTODO

Esta investigação adota uma abordagem metodológica baseada na revisão integrativa da literatura, complementada por análise qualitativa, por ser adequada à complexidade do papel dos Agentes Comunitários de Saúde na prevenção de Doenças Cardiovasculares e no reconhecimento de Parada Cardiorrespiratória. Essa metodologia permite uma síntese crítica da produção científica, desde que siga etapas rigorosas para garantir validade e confiabilidade4.

A revisão foi conduzida em seis etapas. A primeira etapa da revisão integrativa envolveu a definição do tema e a formulação da questão de pesquisa, centrada na atuação dos Agentes Comunitários de Saúde na prevenção de Doenças Cardiovasculares e no reconhecimento de sinais de alerta de Parada Cardiorrespiratória, com a pergunta norteadora: “Qual a importância da atuação dos Agentes Comunitários de Saúde na educação da população sobre a prevenção de Doenças Cardiovasculares e o reconhecimento de sinais de alerta de Parada Cardiorrespiratória?”. Para orientar a busca por evidências, foram definidos descritores como "Atenção Primária em Saúde", "Enfermagem" e "Emergência", utilizados em bases como SciELO, BVS e Portal CAPES, além da bibliografia dos artigos selecionados.

A segunda etapa da revisão integrativa consistiu no estabelecimento de critérios rigorosos para a inclusão e exclusão de estudos, visando garantir a seleção de evidências relevantes e de qualidade para responder à questão de pesquisa. Inicialmente com a busca pelos descritores em português "Atenção Primária em Saúde", "Enfermagem" e "Emergência", foram encontrados os seguintes resultados:

Quadro 1 – Resultados iniciais

FONTES DE INFORMAÇÃO

ESTRATÉGIA DE BUSCA

RESULTADOS

SciELO

Busca pelos descritores

07

CAPES Periódicos

Busca pelos descritores

52

BVS

Busca pelos descritores

374

Fonte: Autores (2025)

Diante da amplitude do resultado dos descritores, foram aplicados mecanismos de refinamento e critérios para incluir ou excluir os materiais. Foram definidos critérios de inclusão que consideraram artigos publicados em bases de dados reconhecidas, que abordassem diretamente a atuação dos agentes comunitários de saúde na educação para a prevenção de doenças cardiovasculares ou no reconhecimento de sinais de alerta de parada cardiorespiratória, adotando o recorte temporal de 2011 a 2025, o idioma português, o formato do material (disponibilizado na íntegra e de forma gratuita).

Quadro 2 – Aplicação de critérios de refinamento

FONTES DE INFORMAÇÃO

ESTRATÉGIA DE BUSCA

RESULTADO

SciELO

Busca pelos descritores + idioma português + período de publiação + texto completo + assunto principal correlacionado aos descritores

06

CAPES PERIÓDICOS

Busca pelos descritores + idioma português + período de publiação + texto completo + assunto principal correlacionado aos descritores

37

BVS

Busca pelos descritores + idioma português + período de publiação + texto completo + assunto principal correlacionado aos descritores

131

Fonte: Autores (2025)

Após aplicar critérios de refinamento, o número inicial de 433 artigos foi reduzido para 174. Em seguida, foram excluídos estudos que não abordavam diretamente o papel dos Agentes Comunitários de Saúde na saúde cardiovascular ou que tratavam apenas de outros níveis de atenção. Também foram descartados textos indisponíveis na íntegra e materiais não classificados como artigos científicos, como monografias, teses, editoriais e resenhas, devido à possível ausência de avaliação por pares. A triagem prosseguiu com a leitura de títulos, resumos e, posteriormente, dos textos completos dos artigos elegíveis. Duplicatas encontradas em diferentes bases foram eliminadas, considerando-se apenas o primeiro registro. Ao final da triagem, restaram 15 artigos pertinentes ao tema.

Quadro 3 – Triagem por títulos

FONTES DE INFORMAÇÃO

ESTRATÉGIA DE BUSCA

RESULTADOS

SciELO

Triagem pelos títulos

0

CAPES PERIÓDICO

Triagem pelos títulos

05

BVS

Triagem pelos títulos

10

Fonte: Autores (2025)

A partir da triagem final, foram encontrados 433 estudos, 259 foram excluídos por não preencherem aos critérios de inclusão, 15 estudos foram selecionados e lidos por títulos e resumos, 02 foram excluídos. Para a leitura na íntegra 13 estudos foram selecionados para revisão.

Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção da amostra

Fonte: Autores (2025)Diagrama  O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

As etapas finais da revisão integrativa envolveram a extração e categorização dos dados dos estudos por temas relevantes, como estratégias educativas e atuação dos Agentes Comunitários de Saúde, seguidas de análise crítica das metodologias e resultados. A interpretação narrativa considerou a qualidade e relevância dos achados, culminando em uma síntese organizada que destacou a contribuição dos agentes comunitários de saúde na prevenção de doenças cardiovasculares e no reconhecimento da parada cardiorrespiratória, além de apontar lacunas para futuras pesquisas.

RESULTADOS

Com base nos autores selecionados, foram identificados os resultados apresentados no Quadro 9 a seguir detalham as contribuições de cada estudo em relação a Importância dos agentes comunitários de saúde na Educação para Prevenção de Doenças Cardiovasculares e Reconhecimento de Sinais de Alerta de parada cardiorespiratória.

Quadro 4 – Síntese dos estudos

Referência

Ano

Objetivo do Estudo/Documento

Principais Resultados/Conteúdo Relevante

Contribuição para a Revisão Integrativa

Sales et al.

2022

Conhecer aspectos da estrutura e processo do atendimento às urgências

nas Unidades de Saúde da Família.

Recursos insuficientes e necessidade de fortalecimento da assistência às queixas agudas.

Evidencia a

precariedade de recursos e necessidade de qualificação.

Oliveira et al.

2016

Analisar a percepção de profissionais da ESF sobre atendimento de urgência e emergência.

Baixa efetividade do atendimento por despreparo e falta de recursos.

Reforça a necessidade de políticas públicas e capacitação

profissional.

Moraes e Paiva

2017

Avaliar o conhecimento de enfermeiros da Atenção Primária de Saúde sobre Suporte Básico de Vida.

Baixo desempenho geral; melhor performance de enfermeiros mais jovens e com atualização recente.

Indica a necessidade de educação continuada para emergências.

Santos et al.

2017

Relatar experiência de capacitação em primeiros socorros na Atenção

Básica.

Curso baseado em simulações favoreceu a articulação teoria- prática.

Aponta a eficácia da formação prática para melhoria do

atendimento.

Palmeira e Machado

2011

Avaliar o tempo porta- eletrocardiograma em pacientes com dor torácica.

95,8% realizaram ECG após mais de 10 minutos; prejuízo no diagnóstico precoce do IAM.

Mostra a importância de agilizar

procedimentos de urgência.

Lemes et al.

2015

Investigar atendimentos sensíveis à Atenção Básica em unidade de urgência.

64% dos atendimentos eram casos sensíveis à Atenção Básica.

Evidencia a

necessidade de

fortalecimento da

resolutividade na Atenção Básica.

Moraes e Paiva

2017

Avaliar o conhecimento de

enfermeiros da Atenção Primária de Saúde sobre Suporte Básico de Vida.

Baixo desempenho geral; melhor

performance de enfermeiros mais jovens e com atualização recente.

Indica a necessidade de

educação continuada para emergências.

Santos et al.

2017

Relatar experiência de capacitação em primeiros socorros na Atenção Básica.

Curso baseado em simulações favoreceu a articulação teoria- prática.

Aponta a eficácia da formação prática para melhoria do

atendimento.

Palmeira e Machado

2011

Avaliar o tempo porta- eletrocardiograma em pacientes com dor torácica.

95,8% realizaram ECG após mais de 10 minutos; prejuízo no diagnóstico precoce do IAM.

Mostra a importância de agilizar

procedimentos de urgência.

Ribeiro et al.

2019

Apresentar as diretrizes da SBC sobre parada cardiorrespiratória.

Detalha o protocolo de ressuscitação cardiopulmonar.

Fornece informações técnicas sobre parada cardiorespiratória.

Celeste, Maia e Andrade

2021

Identificar requisitos para capacitação da equipe de enfermagem em urgência e emergência.

Apenas 50% dos profissionais se sentem aptos; ausência de uso de protocolos.

Evidencia falhas de preparo e necessidade de capacitação sistemática.

Félix et al.

2023

Avaliar autoconfiança antes e depois de treinamento em SBV com simulação in situ.

Aumento significativo na autoconfiança dos profissionais após intervenção.

Demonstra eficácia da simulação prática como método de ensino.

Conceição et al.

2024

Analisar o preparo dos profissionais de enfermagem para situações

de urgência na Atenção Primária de Saúde.

Déficit de infraestrutura, capacitação e conhecimento de protocolos.

Reflete a importância da educação

continuada na Atenção Primária de Saúde.

Fonte: Autores (2025)

DISCUSSÃO

A análise dos estudos selecionados revela um consenso sobre a importância dos Agentes Comunitários de Saúde no contexto da saúde cardiovascular.

A revisão dos estudos evidenciou deficiências críticas na capacitação de profissionais de enfermagem para o atendimento de urgência e emergência na Atenção Primária à Saúde.

A análise dos estudos selecionados revelou deficiências estruturais e profissionais significativas no atendimento de urgência e emergência na Atenção Básica à Saúde. As unidades de saúde da família investigadas dispõem de recursos insuficientes para o atendimento às situações de urgência, evidenciando a necessidade de fortalecimento da assistência através da melhoria na disponibilização de materiais e da qualificação profissional5.

Corroborando tais achados, observa-se que a baixa efetividade da rede de atenção às urgências decorre do despreparo dos profissionais, bem como da carência de recursos físicos e materiais. Tal cenário compromete a resolutividade da Atenção Básica, enfraquecendo seu papel como porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS)6.

No que tange ao conhecimento dos enfermeiros em situações de emergência, a pontuação média global no teste de conhecimento em suporte básico de vida foi preocupantemente baixa (4,5±1,9 pontos). Enfermeiros mais jovens, com menor tempo de formação e experiência prévia em emergência ou cardiologia apresentaram melhores desempenhos, reforçando a importância de programas de educação continuada7.

Ademais, a experiência positiva de um curso de capacitação em primeiros socorros para trabalhadores da Atenção Básica. A metodologia teórico-prática, baseada na simulação de atendimentos, favoreceu o aprendizado e destacou a necessidade da oferta sistemática de treinamentos8.

Em relação ao atendimento de pacientes com dor torácica, o tempo porta-eletrocardiograma foi superior a dez minutos em 95,8% dos casos. Essa demora ultrapassa o tempo recomendado para o diagnóstico precoce do infarto agudo do miocárdio, prejudicando o prognóstico dos pacientes9.

Por volta de 64% dos atendimentos realizados em uma unidade não hospitalar de urgência e emergência foram considerados condições sensíveis à Atenção Básica, tais como infecções respiratórias e dores abdominais. Tal dado reforça a necessidade de fortalecimento da Atenção Básica como organizadora da rede assistencial10.

A maioria dos profissionais de enfermagem que atuam na Atenção Primária de Saúde já se deparou com situações de emergência, contudo apenas 75% haviam recebido alguma capacitação e apenas 50% sentiam-se aptos a atuar em situações de urgência e emergência. Além disso, nenhum dos participantes utilizava protocolos de triagem, como a Escala de Manchester, evidenciando falhas na segurança e na prática clínica11.

Essas lacunas através de uma pesquisa-ação com simulação in situ, onde observaram que a maioria dos profissionais de saúde não possuía formação prévia em Suporte Básico de Vida e em urgência e emergência. Contudo, após o treinamento, houve significativa melhora nos escores de autoconfiança para atuação em emergências, demonstrando que a simulação prática é uma estratégia eficaz de ensino e aprendizagem para a melhoria do desempenho dos profissionais12.

Os profissionais da Atenção Básica não estão devidamente preparados para atender às demandas de urgência e emergência, destacando o déficit estrutural, a falta de capacitação e a ausência de domínio sobre protocolos de atendimento. O estudo reforçou que a educação continuada é essencial para minimizar os danos decorrentes do atendimento inadequado e melhorar a resolutividade da rede de atenção à saúde13.

Dessa forma, os estudos convergem para a necessidade urgente de implementação de programas de capacitação sistemática em primeiros socorros, SBV e manejo de situações críticas na Atenção Primária de Saúde. Além disso, a adoção de metodologias ativas, como a simulação in situ, se mostra como ferramenta estratégica para o fortalecimento das competências dos profissionais, favorecendo a qualidade e a segurança da assistência prestada.

Diante desse panorama, é imprescindível investir na infraestrutura das unidades básicas, promover capacitação continuada dos profissionais e reestruturar a rede de urgência e emergência para garantir atendimento de qualidade e resolutividade no âmbito da Atenção Básica.

Fica evidente, portanto, que agentes comunitários de saúde são fundamentais na prevenção de doenças cardiovasculares e no reconhecimento de sinais de alerta de parada cardiorrespiratória. No entanto, a pesquisa evidencia uma forte necessidade de investimento em treinamento e suporte para potencializar seu impacto na saúde pública. Investir em programas de formação continuada em saúde cardiovascular, fornecer suporte adequado e promover a integração dos agentes comunitários de saúde com as equipes de saúde da Atenção Primária de Saúde são medidas essenciais para fortalecer as estratégias de saúde pública para o enfrentamento dessas condições e potencializar o papel dos agentes comunitários de saúde na promoção da saúde cardiovascular e na redução da mortalidade evitável associada às doenças cardiovasculares.

Com base na síntese dos estudos incluídos, os artigos foram organizados em três eixos temáticos principais. Essa categorização visa facilitar uma análise mais aprofundada dos resultados e destacar as contribuições de cada estudo para esta revisão integrativa.

  1. Estrutura e Processo de Atendimento nas Unidades de Saúde da Família (USF) Artigos: Sales et al. (2022); Oliveira et al. (2016); Lemes et al. (2015).

Discussão: Esses estudos apontam recursos insuficientes, baixa efetividade do atendimento e necessidade de fortalecimento da resolutividade da Atenção Primária de Saúde. Identifica-se uma precariedade nas estruturas de atendimento às urgências, reforçando a carência de investimentos estruturais e qualificação de profissionais. O estudo de Lemes et al. evidencia que 64% dos atendimentos classificados como sensíveis à Atenção Primária de Saúde foram realizados em unidades de urgência, sinalizando o desvio da função básica da Atenção Primária de Saúde e sobrecarga do sistema de urgência.

  1. Capacitação e Atualização dos Profissionais de Saúde na Atenção Primária de Saúde Artigos: Moraes e Paiva (2017) [duas ocorrências]; Santos et al. (2017); Celeste, Maia e Andrade (2021); Félix et al. (2023); Conceição (2020).

Discussão: Estudos reiteram a baixa performance dos profissionais mais jovens ou com menor tempo de serviço, associada à falta de capacitação continuada. Há forte ênfase na efetividade de cursos com simulação, que articulam teoria e prática. Celeste et al. revelam que apenas 50% dos profissionais receberam treinamento adequado em protocolos, o que compromete a atuação em situações de urgência. A necessidade de educação permanente e formação prática de qualidade é reiterada como medida essencial para melhorar o atendimento.

  1. Protocolos e Tempo de Resposta em Casos de Emergência Cardiovascular Artigos: Palmeira e Machado (2011) [duas ocorrências]; Ribeiro et al. (2019).

Discussão: Esses estudos tratam de aspectos técnicos e temporais, como o tempo porta- eletrocardiograma e o uso de protocolos em casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). O dado de que 95,8% dos pacientes realizaram Eletrocardiograma (ECG) após 10 minutos evidencia falhas críticas no atendimento imediato, comprometendo o diagnóstico precoce. Ribeiro et al. detalham diretrizes da SBC e reforçam a importância da adesão aos protocolos de parada cardiorespiratória. A discussão aponta que a padronização de condutas pode salvar vidas e precisa ser incorporada como prioridade nas equipes de Atenção Primária de Saúde.

Convergência: Todos os estudos convergem para a ideia de que há lacunas importantes na estrutura, capacitação e protocolos da Atenção Primária de Saúde, especialmente no atendimento a emergências e prevenção de doenças cardiovasculares.

Implicações práticas: É fundamental promover formação continuada, integração entre agentes comunitários de saúde e equipes multiprofissionais, e criação de fluxos e protocolos claros, garantindo respostas rápidas e eficazes.

Papel dos agentes comunitários de saúde: Apesar de não serem foco direto de todos os estudos, os dados sustentam a importância de preparar e integrar os agentes comunitários de saúde ao sistema de resposta precoce, visto seu papel estratégico na educação em saúde e identificação de sinais de alerta.

Conclusão dos Artigos: A análise dos artigos evidencia um déficit sistêmico que abrange desde a infraestrutura até a qualificação técnica das equipes da Atenção Primária à Saúde, comprometendo a qualidade do atendimento em situações de urgência cardiovascular. A integração do Agente Comunitário de Saúde como agente educativo e articulador entre a comunidade e os serviços de saúde mostra-se uma estratégia promissora para a redução da mortalidade evitável por Doenças Cardiovasculares e Parada Cardiorrespiratória.

CONCLUSÃO

As Doenças Cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no Brasil e no mundo, exigindo ações efetivas de prevenção e reconhecimento precoce de emergências, como a Parada Cardiorrespiratória. A revisão integrativa revelou que os Agentes Comunitários de Saúde têm papel fundamental na promoção da saúde do coração, realizando visitas domiciliares, orientações personalizadas e incentivando hábitos saudáveis. Ao abordar fatores de risco como pressão alta, obesidade, diabetes, tabagismo e sedentarismo, esses profissionais ajudam a população a tomar decisões informadas para cuidar da própria saúde.

Os Agentes Comunitários de Saúde contribuem para o reconhecimento de sinais de alerta que antecedem a Parada Cardiorrespiratória, como dor no peito, falta de ar e perda de consciência, orientando sobre a importância de procurar ajuda médica imediata. No entanto, desafios como falta de treinamento específico, sobrecarga de trabalho e escassez de recursos ainda limitam sua atuação. Investir na formação, valorização e estrutura de trabalho desses profissionais é essencial para fortalecer as ações de prevenção e reduzir as mortes por doenças do coração.

REFERÊNCIAS

1. AHA – American Heart Association. Doenças cardíacas continuam sendo a principal causa de morte, à medida que os principais fatores de risco à saúde continuam a aumentar. Newsroom, 2025. Disponível em: https://newsroom.heart.org/news/heart-disease- remains-leading-cause-of-death-as-key-health-risk-factors-continue-to-rise. Acesso em: 16 mar. 2025.

2. Santos, RC. et al. Agente comunitário de saúde ou “técnico de enfermagem comunitária”? Dilemas e disputas na profissionalização. Tempus–Actas de Saúde Coletiva, v. 15, n. 01, p. 247-274, 2021.

3. Caldeira MA., Vieira, MA., & Figueiredo, FA. O papel dos agentes comunitários de saúde no programa saúde da família-psf: valorização e impacto na promoção da saúde. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 5, n. 1, 2024; p. e514892.

4. Mendes KDS, Silveira RC de CP, Galvão CM. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & Contexto - Enfermagem. 2008 Dec;17(4):758–64.

5. Sales PS et al. O atendimento às urgências em unidades de saúde da família. Enfermagem em Foco, v. 13, 2022.

6. Oliveira TAD et al. Percepção de profissionais da estratégia saúde da família sobre o atendimento de urgência e emergência. Ufpe.br. 2025

7. Moraes TPR & PAIVA, EF. Enfermeiros da Atenção Primária em suporte básico de vida. Puc-campinas.edu.br. 2024.

8. Santos EC et al. Capacitação em primeiros socorros para equipes de saúde da atenção básica: relato de experiência. 2017; 10.4025/cienccuidsaude.v16i2.36909

9. Palmeira NCL & Machado RC. Tempo porta eletrocardiograma: avaliação do atendimento a pacientes com infarto agudo do miocárdio. Rev. enferm. UFPE on line, 2011; 1898-1904.

10. Lemes RA et al. Atendimentos sensíveis à atenção básica em uma unidade não hospitalar de urgência e emergência. Rev. enferm. UFPE on line, 2015; 9777-9783.

11. Celeste LEN, Maia MR, Andrade VA. Capacitação dos profissionais de enfermagem frente às situações de urgência e emergência na atenção primária a saúde: revisão integrativa. Research, Society and Development. 2021 Sep 26;10(12):e443101220521.

12. Félix BIR et al. SIMULAÇÃO IN SITU PARA O TREINAMENTO DE SUPORTE BÁSICO DE VIDA NO CONTEXTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA: estudo piloto. Revista Enfermagem Atual In Derme [Internet]. 2023 [cited 2025 Jun 15];97((ed. esp)):e023075–5.

13. Conceição G et al. O preparo dos profissionais de enfermagem da atenção básica de saúde frente as situações de urgência e emergência. Revista JRG de Estudos Acadêmicos [Internet]. 2024 Jun 3 [cited 2024 Oct 4];7(14):e141133–3.

Carolina Ferreira[1]

Cristiane do Nascimento Moura[2]

Lana da Silva Josephino[3]

Mayara Silva Santos[4]


[1] Endereço: Estrada do Retiro 1801, Condomínio Fazendinha do Retiro lote11, Maricá, Rio de Janeiro, 24722-005. E-mail: carolinaferreiraferreira23@gmail.com telefone: 21 99799-7844 Função: Aluno Instituição: Faculdade de Ciências Médicas de Maricá ORCID: https://orcid.org/0009-0000-5637-8510 Formação: Bacharel em Enfermagem.

[2] Endereço: Av. Reginaldo Zeidan, lote 07, qd H, Guaratiba, Maricá, Rio de Janeiro, 24916-105. E-mail: cristanemoura1@gmail.com telefone: 21 97154-0962 Função: Aluno Instituição: Faculdade de Ciências Médicas de Maricá ORCID: https://orcid.org/0009-0007-5637-8204 Formação: Bacharel em Enfermagem.

[3] Endereço: Avenida Maysa, lote 13, quadra 31, Guaratiba, Maricá, Rio de Janeiro, 24916-000. E-mail: lanasamurj@gmail.com telefone: 21 99520-4479 Função: Aluno Instituição: Faculdade de Ciências Médicas de Maricá ORCID: https://orcid.org/0009-0002-5548-0036 Formação: Bacharel em Enfermagem.

[4] Endereço: Rua Antônio dos Santos Bittencourt, mumbuca, Maricá, Rio de Janeiro, 24913800. E-mail: Mayarasilvasantos1996@gmail.com telefone: 21 97733-0996 Função: Aluno Instituição: Faculdade de Ciências Médicas de Maricá ORCID: https://orcid.org/0009-0002-5548-0036 Formação: Bacharel em Enfermagem.