PREVALÊNCIA DE MICRORGANISMOS NA SUPERFÍCIE DE APARELHOS CELULARES DE PROFISSIONAIS DA SAÚDE: REVISÃO DE ESCOPO
PREVALENCE OF MICROORGANISMS ON THE SURFACE OF HEALTHCARE PROFESSIONALS' CELL PHONES: A SCOPING REVIEW
PREVALENCIA DE MICROORGANISMOS EN LA SUPERFICIE DE LOS TELÉFONOS CELULARES UTILIZADOS POR PROFESIONALES DE LA SALUD: UNA REVISIÓN EXPLORATORIA
Nicolle Mendes Ziliotto
Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem. Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA
Caroline Souza dos Santos
Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem. Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA
Giovanna de Almeida Jucá
Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem. Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA
Kauany Alexandra de Paula
Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem. Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA
Luamily da Silva Pereira
Acadêmica do Curso de Graduação em Enfermagem. Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA
Michel Marcos Dalmedico
Doutor em Tecnologia em Saúde pelo Programa de Pós-Graduação em Tecnologia em Saúde da PUCPR
Resumo
Objetivo: estimar a prevalência de contaminação microbiana na superfície de aparelhos celulares utilizados por profissionais de saúde e identificar os principais microrganismos isolados. Metodologia: Scoping Review segundo as diretrizes do Joanna Briggs Institute. A busca, realizada entre agosto e novembro de 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, BDENF e Google Scholar, incluiu estudos transversais de 2020 a 2025, em português, espanhol e inglês, envolvendo a obtenção de culturas microbianas da superfície de aparelhos celulares de profissionais de saúde. Resultados: Foram incluídos 13 estudos, que identificaram taxas de contaminação microbiana variando de 60% a 100% nos celulares de profissionais da saúde. Os microrganismos mais frequentes foram bactérias Gram-positivas e Gram-negativas associadas às infecções relacionadas à assistência à saúde, além da detecção de SARS-CoV-2 em alguns estudos. Considerações Finais: Os resultados mostram alta prevalência de contaminação microbiana em celulares de profissionais da saúde. Esses dispositivos atuam como fômites relevantes, reforçando a necessidade de sua desinfecção regular como parte das estratégias de prevenção e controle de infecções.
Descritores: Smartphone; Profissionais da Saúde; Fômites; Contaminação de Equipamentos; Controle de Infecções.
INTRODUÇÃO
O uso de aparelhos celulares como ferramenta de apoio às atividades profissionais vem aumentando continuamente, impulsionado pela expansão tecnológica. Embora a evolução tenha trazido vantagens significativas em todos os setores, também é necessário considerar os efeitos negativos do uso de smartphones na prática clínica. No contexto hospitalar, seu manuseio pode favorecer a contaminação cruzada, contribuir para a manutenção das infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) e ampliar o risco de disseminação de bactérias multirresistentes(1,2).
O uso descontrolado de dispositivos móveis contribui para o aumento da probabilidade de contaminação cruzada, impactando, consequentemente, a incidência de infecções hospitalares e causando um aumento no tempo e nos custos de internação, tornando-se um tópico de relevância no âmbito da segurança do paciente(2,3). Pesquisas atuais enfatizam os celulares como fômites, aumentando o risco de disseminação de doenças nosocomiais, visto que a higienização dos aparelhos é frequentemente negligenciada(4,5). É possível encontrar mais microrganismos em um telefone celular do que no assento de um vaso sanitário, na sola de um sapato ou na maçaneta de uma porta(6).
Em 2020, uma revisão de 56 estudos apontou que, em média, 68% dos aparelhos celulares estavam contaminados com microrganismos, incluindo bactérias resistentes a antibióticos(7). No ambiente hospitalar, a colonização bacteriana nos celulares dos profissionais foi associada à contaminação das mãos, sugerindo que os dispositivos podem contribuir para a contaminação cruzada8. Além disso, estudos mostraram que celulares em ambientes hospitalares estavam frequentemente contaminados com patógenos graves, como Staphylococcus aureus resistente à meticilina e Enterococcus resistente à vancomicina e Acinetobacter sp - microrganismos associados a infecções graves e de difícil tratamento(7,9). Bactérias multirresistentes, com potencial de causar infeções nosocomiais, são responsáveis por 40–70% da contaminação de telefones celulares de profissionais de saúde(10).
Os telefones celulares são amplamente utilizados em ambientes clínicos e podem ser colonizados por bactérias potencialmente patogênicas, o que pode levar à transmissão de infecções nosocomiais(8). Essas infecções envolvem a transmissão cruzada de diferentes patógenos - bactérias, vírus ou fungos – contidos nas superfícies nos dispositivos, que podem atuar como reservatório(6,11,12). O manuseio destes dispositivos com as mãos sujas e/ou a higienização infrequente dos equipamentos podem agravar os riscos à saúde(13).
Os telefones celulares atuam como dispositivos "cavalos de Troia" que: (i) burlam as práticas de higiene das mãos recomendadas; (ii) provavelmente estão ligados à disseminação de patógenos por meio de vias de transmissão por contaminação cruzada; e (iii) contribuem para infecções e hospitalizações na população global devido a infecções nosocomiais(14).
Mediante o exposto, o objetivo do presente estudo é estimar a prevalência de contaminação microbiana na superfície de aparelhos celulares utilizados por profissionais de saúde e identificar os principais microrganismos isolados.
METODOLOGIA
Trata-se de Scoping Review fundamentada nas recomendações do Joanna Briggs Institute - JBI Manual for Evidence Synthesis: Chapter 11: Scoping Reviews(15). A revisão de escopo tem como finalidade abordar temas amplos, reunindo e sintetizando evidências científicas abrangentes, o que possibilita a análise de evidências emergentes e a identificação de lacunas do conhecimento. Além disso, permite mapear, examinar e sistematizar de forma rigorosa conceitos e características específicas, delimitando a natureza de um campo de conhecimento amplo. Esta revisão de escopo foi registrada no Open Science Framework (OSF) e está disponível em: https://doi.org/10.17605/OSF.IO/CAESZ
A revisão de escopo é conduzida em cinco etapas inter-relacionadas: (1) definição da questão de pesquisa; (2) identificação dos estudos relevantes por meio de estratégia de busca; (3) seleção dos estudos; (4) mapeamento dos dados; e (5) síntese e apresentação dos resultados(15).
A pesquisa foi orientada pela seguinte questão: qual é a prevalência de contaminação de superfícies de aparelhos celulares de profissionais de saúde e quais são os principias microrganismos isolados?
A busca por estudos relevantes foi conduzida, entre agosto e novembro de 2025, na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas bases de dados PubMed/MEDLINE (National Library of Medicine), SciELO Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Base de Dados em Enfermagem (BDENF). Adicionalmente, procedeu-se busca complementar por literatura cinzenta no Google Scholar.
A construção do referencial teórico baseou-se na combinação dos termos apresentados no Quadro 1, utilizando os operadores booleanos “OR” para a associação de sinônimos e “AND” para a inter-relação entre diferentes conceitos.
Quadro 1 – Termos utilizados para a elaboração da estratégia de busca.
Conceito | DeCS / MeSH | Sinônimos/ termos livres |
Profissionais de saúde | Health Personnel Healthcare Workers | Health Professionals Medical Staff Healthcare Professionals |
Aparelhos celulares | Cell Phones Mobile Phones | Smartphone* Mobile Device* Cellular Phone* |
Contaminação microbiana / microrganismos | Cross Infection Microbial Contamination Bacteria Fungi | Bacterial Contamination Microbial Colonization Surface Contamination Microorganism* Nosocomial Pathogens |
Prevalência e isolamento | Prevalence Cultures | Frequency Isolation Microbial Culture Bacterial Isolates |
Fonte: os autores, 2025.
Critérios de elegibilidade: artigos publicados na íntegra; estudos nos idiomas português, espanhol ou inglês; publicações entre 2020 e 2025 (até novembro); estudos primários com delineamento transversal; investigações que realizaram culturas microbianas de superfícies de aparelhos celulares; e conduzidos com profissionais de saúde.
Critérios de exclusão: estudos duplicados; revisões de literatura, editoriais, cartas ao editor, protocolos, relatos de caso e estudos qualitativos; pesquisas que não envolveram aparelhos celulares ou não realizaram culturas microbianas; estudos com população não composta por profissionais de saúde; e publicações fora do período ou idiomas estabelecidos.
Todos os estudos recuperados foram triados quanto à elegibilidade por dois revisores independentes, conforme os critérios de inclusão. O processo de seleção ocorreu em duas etapas: (i) avaliação dos títulos e resumos; e (ii) leitura na íntegra dos textos potencialmente elegíveis, com registro das justificativas de exclusão.
Os estudos incluídos foram submetidos ao mapeamento dos dados (data charting), realizado por dois revisores, contemplando informações bibliográficas (autores, ano, país e periódico) e dados relacionados ao conceito e ao contexto do estudo (características metodológicas e principais achados). Os dados mapeados foram organizados e apresentados por meio de síntese narrativa, conforme os objetivos da revisão de escopo.
RESULTADOS
A partir da estratégia de busca foram recuperados 102 estudos relevantes. Mediante a aplicação dos critérios previamente estabelecidos, 13 estudos compuseram a amostra do presente estudo. O processo de seleção é detalhado na figura 1.
Figura 1- Fluxograma de identificação, seleção e inclusão/exclusão dos estudos.
Na segunda etapa da triagem, 10 estudos foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade. Destes, dois eram revisões de literatura, cinco incluíram populações que não eram profissionais de saúde, dois não relataram os microrganismos isolados e um tratava-se de uma carta ao editor. Os dados dos estudos incluídos são apresentados nos quadros 2 e 3.
Quadro 2 - Síntese narrativa resumindo as características gerais dos estudos.
Autor/ Ano | País | Titulo | Periódico/ Base |
Correa et al (2023)(16) | Brasil | Mobile phones of anesthesiologists as reservoirs of nosocomial bacteria in a quaternary teaching hospital: an observational study | Braz J Anesthesiol/ PubMed |
Espinoza et al (2021)(17) | Brasil | Are mobile phones part of the chain of transmission of SARS-CoV-2 in hospital settings? | Rev. Inst. Med. trop. S. Paulo/ SciELO |
Cabral et al (2021)(18) | Brasil | Contaminação de aparelhos celulares da equipe de enfermagem em unidade de terapia intensiva de um hospital público do noroeste paranaense | Arq. Ciênc. Saúde Unipar / Google Scholar |
Mushabati et al (2021)(19) | Zâmbia | Bacterial contamination of mobile phones of healthcare workers at the University Teaching Hospital, Lusaka, Zambia | Infect Prev Pract/ Pubmed |
Galdino Júnior et al (2022)(20) | Brasil | Biofilme em smartphones de profissionais da saúde: padrão de uso de descontaminação do aparelho | Rev. Eletr. Enferm/ SciELO |
Yao et al (2022)(21) | China | Bacterial Colonization on Healthcare Workers' Mobile Phones and Hands in Municipal Hospitals of Chongqing, China: Cross-contamination and Associated Factors | J Epidemiol Glob Health / PubMed |
Tannhäuse et al (2022)(22) | Alemanha | Bacterial contamination of the smartphones of healthcare workers in a German tertiary-care hospital before and during the COVID-19 pandemic | Am J Infect Control/ Pubmed |
Kuriyama et al (2021)(23) | Japão | Prevalence of bacterial contamination of touchscreens and posterior surfaces of smartphones owned by healthcare workers: a cross-sectional study | BMC Infec. Dis/ PubMed |
Elbarghathi et al. (2025)(24) | Líbia | Mobile Phones and Multidrug Resistant Bacteria: A Growing Concern for Healthcare Workers | Libyan Med J / Google Scholar |
Kuriyama et al (2021)(25) | Japão | A cross-sectional study on bacterial contamination on the touchscreens and posterior surfaces of smartphones of emergency department staff | J Eval Clin Pract/ Pubmed |
Asfaw et al (2021)(26) | Etiópia | High Rate of Bacterial Contamination on Healthcare Worker's Mobile Phone and Potential Role in Dissemination of Healthcare-Associated Infection at Debre Berhan Referral Hospital, North Shoa Zone, Ethiopia | Risk Manag Healthc Policy/ Pubmed |
Qadi et al (2021)(27) | Palestina | Microbes on the Mobile Phones of Healthcare Workers in Palestine: Identification, Characterization, and Comparison | Can J Infect Dis Med Microbiol/ Pubmed |
Al-Beeshi (2021)(28) | Arábia Saudita | The bacterial colonization of healthcare workers' mobile phones in a large tertiary care teaching hospital in Saudi Arabia | J Infect Dev Ctries/ Pubmed |
Fonte: as autoras, 2025
Quadro 3 - Síntese narrativa – principais resultados identificados
Autor/ Ano | Resultados | Microrganismos Isolados |
Correa et al (2023)(16) | Foram examinados 128 celulares, dos quais 86 apresentaram contaminação bacteriana. A contaminação bacteriana foi identificada em 67,2% dos celulares de anestesiologistas. | Micrococcus spp |
Espinoza et al (2021)(17) | Participaram do estudo 50 pessoas. Não foi identificada a porcentagem de contaminação dos celulares, sendo apresentados apenas os resultados qualitativos relacionados à detecção do SARS-CoV-2 | SARS-CoV-2 |
Cabral et al (2021)(18) | Participaram da pesquisa 22 colaboradores. A presença de microrganismos em celulares de profissionais da enfermagem na UTI foi de 100%. | Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Klebsiella pneumoniae e Enterobacter spp |
Mushabati et al (2021)(19) | Participaram do estudo 38 profissionais da saúde. 79% dos smartphones avaliados apresentaram contaminação bacteriana | Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Pseudomonas aeruginosa, Staphylococcus haemolyticus, Escherichia vulneris, Escherichia coli e Klebsiella pneumoniae |
Galdino Júnior et al (2022)(20) | Participaram do estudo 38 profissionais. A contaminação por biofilme foi identificada em 100% das amostras de películas de smartphones de profissionais da saúde. | Bactérias Gram-negativas e Staphylococcus aureus |
Yao et al (2022)(21) | O estudo contou com 50 participantes. 95,5% dos telefones estavam contaminados com bactérias | Staphylococcus epidermidis, Acinetobacter baumannii, Staphylococcus haemolyticus e Staphylococcus aureus. |
Tannhäuse et al (2022)(22) | Participaram 295 profissionais da saúde. 99,3% dos smartphones estavam contaminados. | SARS-CoV-2 |
Kuriyama et al (2021)(23) | A amostra foi composta por 12 profissionais da saúde e seus respectivos celulares. Cerca de 60% dos smartphones usados pelos profissionais de saúde foram contaminados. | Staphylococci (CoNS), Bacillus species e Taphylococcus aureus |
Elbarghathi et al. (2025)(24) | Foram coletadas 60 amostras em três hospitais. A prevalência geral de contaminação dos telefones celulares foi de 84%. | Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, Staphylococcus epidermidis, Klebsiella pneumoniae, Staphylococcus aureus |
Kuriyama et al (2021)(25) | Foram analisados 40 smartphones de profissionais da saúde. A taxa de contaminação foi de 65% na tela e 90% na superfície traseira. | Bacillus spp. e estafilococos coagulase-negativos |
Asfaw et al (2021)(26) | Participaram do estudo 65 profissionais da saúde. 100% dos celulares apresentaram contaminação bacteriana. Foram identificados 84 isolados bacterianos | Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Enterococcus spp., Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter spp., Enterobacter spp.cter spp., Enterobacter spp. |
Qadi et al (2021)(27) | Participaram do estudo 300 indivíduos (200 profissionais da saúde e 100 estudantes). A taxa de contaminação dos celulares foi de 87,5%. | Staphylococcus aureus, estafilococos coagulase-negativos, Enterobacteriaceae |
Al-Beeshi (2021)(28) | Foram analisados 130 celulares de profissionais da saúde. A taxa de contaminação foi de 71,5% dos aparelhos | Staphylococcus epidermidis, Micrococcus spp., Staphylococcus hominis, Bacillus spp., Staphylococcus aureus, Pseudomonas sp. |
Fonte: os autores, 2025
Os estudos incluídos nesta revisão de escopo relataram a presença de diferentes microrganismos em aparelhos celulares utilizados por profissionais de saúde, abrangendo bactérias Gram-positivas, bactérias Gram-negativas e vírus.
Quadro 4 - Microrganismos identificados em aparelhos celulares de profissionais de saúde: distribuição de bactérias Gram-positivas e Gram-negativas.
Classificação | Microrganismos |
Bactérias Gram-positivas |
|
Bactérias Gram-negativas |
|
Fonte: os autores, 2025
A taxa de contaminação dos equipamentos variou entre 60% e 100% das amostras analisadas. Três estudos relataram 100% de contaminação(18,20,26). Entre as bactérias Gram-positivas, observaram-se principalmente Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Estafilococos coagulase-negativos (Staphylococcus haemolyticus, Staphylococcus hominis), bem como Micrococcus spp., Bacillus spp. e Enterococcus spp.
No grupo das bactérias Gram-negativas, foram identificadas espécies potencialmente associadas às infecções relacionadas à assistência à saúde, incluindo Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Enterobacter spp., Acinetobacter spp. (com destaque para Acinetobacter baumannii) e Pseudomonas spp., sobretudo Pseudomonas aeruginosa. Alguns estudos relataram os isolados apenas de forma agregada, como pertencentes à família Enterobacteriaceae.
Além das bactérias, dois estudos também descreveram a detecção do SARS-CoV-2 em aparelhos celulares, indicando o potencial desses dispositivos como fômites na transmissão viral em ambientes assistenciais.
DISCUSSÃO
Os aparelhos celulares tornaram-se acessórios indispensáveis na prática clínica. Eles aumentam a qualidade da assistência à saúde, proporcionando comunicação rápida e fácil acesso a resultados de exames laboratoriais, imagens e prontuários de pacientes. Simultaneamente, porém, podem atuar como vetores de microrganismos patogênicos e, como tal, representam um risco potencial de infecção hospitalar(9). Estes dispositivos podem servir como reservatórios a partir dos quais as IRAS podem se espalhar para as mãos dos profissionais de saúde e, em seguida, para os pacientes(8). Embora a evolução tecnológica tenha trazido vantagens significativas em todos os setores, também é necessário considerar os efeitos negativos do uso de smartphones nos ambientes de saúde(2).
Os telefones celulares dos profissionais de saúde são fômites para microrganismos potencialmente patogênicos e altamente resistentes a medicamentos, consistindo uma via importante de contaminação cruzada devido à baixa frequência com que são higienizados e à contaminação cíclica das mãos e do rosto(16,29). A dificuldade em aceitar a higienização vem do receio de danificar o dispositivo, a falta de tempo e a ausência de protocolos visuais claros(30,31). Os telefones celulares raramente são higienizados e estão sempre em contato com as mãos e diferentes partes do rosto, bem como com bancadas de trabalho, o que facilita a transmissão de infecções dentro e fora do ambiente hospitalar(2.32).
O aparelho celular utilizado por profissionais de saúde apresenta significativa contaminação bacteriana, especialmente nas superfícies posteriores, o que dificulta a realização de desinfecção precisa e eficaz(23). Essa dificuldade aumenta as possibilidades de contaminação cruzada e problemas posteriores após o uso(6).
Em um relatório recente de uma pesquisa com profissionais de saúde em um ambiente de cuidados pediátricos agudos na Austrália, 56% (86/165) dos entrevistados indicaram que usam seus celulares no banheiro, o que demonstra o uso desses dispositivos em ambientes não higiênicos(33).
Um estudo avaliou a contaminação microbiana na superfície de aparelhos celulares de estudantes de Odontologia antes e após a desinfecção com álcool a 70%. Observou-se que, nas amostras coletadas sem a utilização de lenços umedecidos com álcool, a taxa de contaminação foi de 81%, com contagem média de 120.953 UFC/mL. Após uma única desinfecção, a contaminação microbiana reduziu-se para 21%, correspondendo a 201 UFC/m(34).
A presença desses microrganismos nos telefones celulares e nas superfícies do ambiente hospitalar é preocupante, pois representa um risco de transferência de patógenos para pacientes e disseminação na comunidade29. Embora nenhuma relação causal tenha sido estabelecida, fortes associações foram relatadas. Diretrizes dos comitês de controle de infecção hospitalar são necessárias sobre restrição, cuidados e limpeza rotineira de telefones celulares, bem como mais pesquisas(35). Os esforços para limitar a exposição dos pacientes a microrganismos podem ser anulados se os celulares não forem descontaminados regularmente(36).
Um estudo avaliou a capacidade de sobrevivência de microrganismos clinicamente relevantes presentes em telefones celulares e identificou que patógenos hospitalares — especialmente Staphylococcus aureus e outros microrganismos associados às infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) — permaneceram viáveis por períodos prolongados, variando de horas a dias, nas superfícies desses dispositivos(37). Além disso, evidências indicam que as bactérias isoladas de telefones celulares apresentam, com frequência, perfis de multirresistência aos antimicrobianos(38).
A resistência antimicrobiana é uma grande preocupação para a saúde humana. Em todo o mundo, 4,95 milhões de mortes estão associadas à resistência bacteriana a antimicrobianos. E. coli, S. aureus, Klebsiella spp., Streptococcus spp., Acinetobacter spp. e Pseudomonas spp. são conhecidos por serem os principais patógenos causadores de mortes associadas à resistência(39).
Além das infecções bacterianas, os fômites desempenham um papel relevante na transmissão de diversos vírus e fungos(40). No entanto, esse risco pode estar subestimado em razão de uma abordagem microbiológica restrita, uma vez que muitos estudos priorizam a identificação bacteriana e empregam metodologias limitadas para a detecção de microrganismos não bacterianos, o que contribui para a subavaliação do impacto biológico associado a esses dispositivos(41).
Cabe salientar que métodos baseados apenas em cultura subestimam drasticamente a diversidade microbiana. Isso sugere que muitos estudos (focados só em bactérias cultiváveis) provavelmente não detectaram fungos ou microrganismos de difícil cultura(42). A metodologia empregada na coleta e no processamento das amostras pode introduzir vieses não intencionais, uma vez que variáveis como o tipo de swab utilizado, o tempo e as condições de transporte, bem como a seleção dos meios de cultura, influenciam de maneira significativa a recuperação e a detecção dos microrganismos, podendo resultar em subestimação da carga microbiana presente(41,43).
Com a pandemia de COVID-19, houve um aumento no uso de dispositivos digitais, incluindo telefones celulares, para acessar e registrar informações no ambiente de saúde. Isso pode potencialmente aumentar o risco de contaminação e transmissão de agentes microbianos, incluindo o SARS-CoV-2(29). Dois estudos incluídos corroboram estes dados ao relatarem a detecção de SARS CoV-2 na superfície dos equipamentos(17,22).
Embora a higienização das mãos e o uso de telefones celulares não sejam mutuamente exclusivos, é crucial reconhecer o papel potencial dos telefones celulares na cascata de transmissão de doenças e tomar medidas apropriadas com base em evidências(44). Celulares devem ser considerados fômites relevantes e a desinfecção de dispositivos móveis deveria entrar em protocolos de controle de infecção hospitalar (o “6º momento” da higienização das mãos)(45).
Revisões recentes continuam a apontar que a baixa conformidade com a higiene dos celulares (estimada entre 8% e 13% dos profissionais) é uma falha crítica. O maior desafio reside na ausência de um protocolo de desinfecção padronizado em vigor nas instituições de saúde, o que exige o desenvolvimento de diretrizes baseadas em evidências(46). Aumentar a conscientização dos profissionais de saúde sobre a transmissão de microrganismos por meio de telefones celulares é fundamental para melhorar as práticas de higiene das mãos e dos dispositivos móveis, reduzir os riscos de infecção e fortalecer as medidas de controle de infecção hospitalar(47).
Adicionalmente, diversos estudos apontam que uma das principais barreiras para a higienização de aparelhos celulares por profissionais da saúde é o receio de danificar o dispositivo, especialmente a tela e seus componentes sensíveis, este conceito é denominado “fear of cleaning-related device damage” (medo de dano ao dispositivo relacionado à limpeza). Os profissionais relatam insegurança quanto à aplicação de líquidos próximos a entradas de carregamento e microfones, além da preocupação com a deterioração do revestimento das telas(30,48).
Nesse contexto, a desinfecção de telefones celulares deve ser reconhecida como componente essencial das estratégias de prevenção e controle de infecções, devendo ocorrer com frequência equivalente à higienização das mãos(49). Nesse cenário, a utilização da luz ultravioleta C (UV-C) destaca-se como uma tecnologia complementar de elevado impacto para a redução da contaminação cruzada(50). Dispositivos de sanitização por UV-C conseguem descontaminar aparelhos em intervalos muito curtos, geralmente entre 10 e 20 segundos, oferecendo uma alternativa rápida, eficaz e segura. Além de potencializar as práticas básicas de higiene, esse método pode ser integrado ao fluxo de trabalho dos profissionais, permitindo a desinfecção simultânea do celular durante a própria higienização das mãos(36).
A eficácia da tecnologia UV-C foi comprovada em ensaios de campo, onde a sanitização resultou em uma redução média de contaminação microbiana que variou entre 84,4% e 93,6% nas contagens de colônias, validando-a como um meio rápido e eficiente para reduzir a disseminação de microrganismos e complementar a higiene das mãos(50). Adicionalmente, este recurso reduz a insegurança sobre a danificação dos celulares durante desinfecção convencional.
A desinfecção com UV-C é apresentada não apenas como uma alternativa rápida, mas também como a intervenção mais custo-efetiva, com potencial de economia significativa para os hospitais ao longo de 10 anos, quando comparada à dependência exclusiva dos protocolos tradicionais de higiene das mãos(51).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados desta revisão de escopo, obtidos a partir de uma estratégia de busca abrangente, evidenciam que aparelhos celulares utilizados por profissionais da saúde apresentam elevada prevalência de contaminação microbiana, incluindo bactérias multirresistentes e o vírus SARS-CoV-2. A ampla diversidade de microrganismos identificados reforça o papel dos smartphones como fômites de relevância clínica, capazes de contribuir para a cadeia transmissão nosocomial de patógenos.
A heterogeneidade dos microrganismos isolados e a frequência de contaminação observada — variando entre 60% e 100% nas amostras analisadas — reforçam a necessidade de incorporar a higienização de dispositivos móveis como componente explícito de estratégias institucionais de controle de infecções.
Portanto, adotar rotinas regulares de limpeza dos celulares e integrar sua desinfecção às práticas de prevenção e controle de infecções é essencial para reduzir riscos, fortalecer a segurança do paciente e minimizar a disseminação de microrganismos no ambiente clínico. Nesse contexto, é recomendado que as instituições de saúde implementem uma intervenção multifacetada, incluindo educação e treinamento, visando reduzir significativamente a carga microbiana em dispositivos portáteis. bem como, políticas de uso racional desses dispositivos.
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